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segunda-feira, 1 de março de 2010

A hora da maresia

Faz-se uma base doce
Mistura-se com moderação
Deixa-se emergir numa nuvem de algodão
Ou transparente
Como num sonho
Que tudo reinvente
Espalha-se como o tédio
Pelas ombreiras das portas
E na falta de palavras mortas
Ou de janelas abertas
Por onde entrem
Ruas desertas
Procura-se insistentemente
Na boca sem pressa
O inferno dos lugares comuns
Mas é na sela do cavalo alado
Que se sente a emoção
Até ao nascer do dia
E então
É de novo
A hora da maresia
E os sonhos
Cavalgados no turbilhão
Da noite
Transformam-se nas palavras
Da poesia

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Contigo queria ainda

Contigo queria ainda
Dançar o Tango em Buenos Aires
Onde o desemprego entristece e revolta

E o Samba no Rio
Onde também se ouve o estertor da fome
E a droga nunca se esgota

Dançar o Flamenco em Sevilha
Onde cantam ciganos como se morressem
E vivem felizes aparentemente

E a dança do ventre em Ismaília
Onde no entanto isso não se dança
E o desejo é sempre indecente

De novo o desejo de viver
Amando-te como anseias e o teu ser
Merece
Que é como quem recita
Um poema em forma de vida
E desvanece

Contigo queria ainda
Levar-te para a menina que encontrei
Numa curva da vida
Onde o desejo nos perdia
Animais selvagens
Da noite dia

Contigo queria ainda
Amar como se ama a vida
O Mar o Sol e o Universo
Contigo queria ainda
O Excesso