Não escrever
Por ter a certeza
Que quando escreve
Já mente
Porque se retarda a síncope
Entre o pensamento
E a mão que se movimenta
Lenta, lenta, lenta…
Quando volta atrás para reescrever
Já pouco consta do original momento
Em que subitamente
Uma ou duas fusões de energia inteligível
Lhe tinham ditado uma sequência de palavras
Que agora esquece
Hesita
Lamenta a ideia que adormece
Fica assim numa angústia
De não vivência
De impermanência
Da impossibilidade sofista
De traduzir em tempo real
O que na sua memória acontece
Maravilhoso ou banal
O prazer da escrita
Dissipa-se
Num tom de desdita
De dizer algo
Que já não refere a realidade
Maquilhando a verdade
Que assim
Nunca é dita
Por ter a certeza
Que quando escreve
Já mente
Porque se retarda a síncope
Entre o pensamento
E a mão que se movimenta
Lenta, lenta, lenta…
Quando volta atrás para reescrever
Já pouco consta do original momento
Em que subitamente
Uma ou duas fusões de energia inteligível
Lhe tinham ditado uma sequência de palavras
Que agora esquece
Hesita
Lamenta a ideia que adormece
Fica assim numa angústia
De não vivência
De impermanência
Da impossibilidade sofista
De traduzir em tempo real
O que na sua memória acontece
Maravilhoso ou banal
O prazer da escrita
Dissipa-se
Num tom de desdita
De dizer algo
Que já não refere a realidade
Maquilhando a verdade
Que assim
Nunca é dita